28 mar 2014
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Bateu uma vergonha de ser brasileira…

Quem me conhece bem sabe que sou uma defensora da mulher na sociedade. Sempre que vejo algo preconceituoso ou que não respeita os direitos femininos, fico indignada e tento argumentar ou divulgar o fato para que mais pessoas fiquem atentas.

ser mulher

Ao ver o resultado da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizada no período de maio e junho de 2013 em 212 municípios brasileiros, fiquei com um pouco de vergonha de ser brasileira.

pesquisa mulher com roupa curta

Como se não bastasse o nosso salário ainda ser menor do que o dos homens para executar as mesmas funções em algumas áreas, termos que lutar para ter direito ao estudo, morarmos em um mundo que ainda nos vê como objeto sexual, ainda temos que usar “burca” pra não sermos estupradas. Afinal, para  65%, mulher de roupa curta merece ser atacada.

Quando é que as pessoas vão entender que cada pessoa é dona do seu próprio corpo? A mulher pode estar nua que, ainda assim não é motivo para atacá-la e abusar dela sexualmente.

Somos animais RACIONAIS e sabemos muito bem o que é certo e o que é errado. Nada justifica fazer algo contra a vontade de uma pessoa só por causa do modo como ela se veste. Ou vocês já viram um homem sem camisa passar numa rua escura e ser “abusado” por uma mulher? Pode até ter acontecido, mas é algo raríssimo!

E essa desvalorização e desrespeito com o ser feminino não parte daí não! Isso começa desde a hora em que você acha normal uma pessoa divulgar um vídeo da ex na hora do sexo (e ainda ouço argumentos assim: “a errada é ela” de ter sido filmada), você mesmo passa pra frente imagens e vídeos do tipo, curte mexer com mulheres na rua, acha ok que um homem se aproveite de uma garota no ônibus ou no metrô ou considere um absurdo ter espaços próprios para a mulher em ambientes públicos.

Sabe, eu também acho um absurdo termos que usar espaços específicos para o público feminino. Num mundo ideal a gente poderia sair de casa com short ou saia sem se preocupar em ser estuprada ali na esquina, em ter que atravessar a rua para não passar na frente de um bar cheio de homens, em pegar um transporte público sem ter que se espremer nos cantinhos para que alguém não fique encostando propositalmente.

Falo com propriedade, pois, graças a Deus, não sofri com estupro, mas já andei na rua para ir pra faculdade e um cara simplesmente meteu a mão no meu peito e saiu correndo, já ganhei um selinho na balada contra a minha vontade, já vi um outro homem se encostando numa menina no ônibus e alertei, já me irritei profundamente com coisas que ouvi nos caminhos em que passei.

Quer saber o que eu senti na hora que esses fatos aconteceram? NOJO! Um sentimento ruim que tomou conta de mim e que me levou a ficar ora paralisada, ora indignada.

Então, quando li essa pesquisa e vi que homens e o pior, mulheres, responderam dessa forma me deu nojo novamente.

Eu espero de verdade que, você que está lendo tenha uma opinião diferente. E, se não tiver, reflita! Não é justo que um homem tenha “o apoio” dessa quantidade de pessoas para estuprar uma mulher só porque a roupa dela é curta.

Deixe o seu comentário!

2 Comentários

  1. Naty disse:

    Olá Carol,

    vim aqui fazer um post para a minha empresa, mas depois do que eu li achei que seria de muito mal gosto da minha parte fazer esse comentário para a venda de algum serviço ou produto.

    É realmente muito triste ver que ainda existe pessoas no qual acreditam seriamente no fato que mulher de roupa curta e/ou saia está querendo se expor, e por isso merece ser tratada assim. Para quem apoia esse absurdo, peço que assistam esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=V4UWxlVvT1A.

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